segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Ode Aos Meus Amigos



O mundo é cheio de tantas pessoas
e de tantos jeitos de viver,
que parece estranho achar diamantes
dentro de tanta bijuteria,
que parece não existir razão para encontrar
amor por entre tanta hipocrisia.
Às vezes perdido nos ditames do dever ser,
perdido nos temores do que há por vir.
Eu não quero voltar sozinho sem vocês aqui.

Que nem os que vagam pelas cidades
mortas de um tempo inlembrável,
caminhei por fogo e por amigos vampirescos,
mas achei a luz no fim do portal.
Existe um caminho que leva para longe
e que nem sempre se pode achar o final.
Às vezes calado pelo dom de ficar pensando,
eu me deparo amando toda revolução
que nasceu quando eu toquei meu rosto no chão.

Rolar no chão da boite,
dizer que odeia todos os que ali estão,
temer a morte e comer mais de um dogão.
querer dançar além da Biodança,
perder sexo por gangue de rockeiros,
temer, beijar, fazer amor no banheiro,
gemer, correr pelo chão descalço,
beijar com pimenta a boca de quem canta Carcará,
jogar cerveja na Beyoncé do Ceará se fazendo,
dançar quando se deve trepar (VENUS!),
falar inglês com baianos de por aqui,
não deixar ir embora: querer fugir!
Aquiles pode olhar um sexo delicioso,
mas não queria fazê-lo no quarto de sua mãe.
Gritando "pokébolas para um pokémon",
mas não brigue, não me deixe,
não parta com minha razão.
Muitos amores passaram, outros tantos não ficarão,
mas somos navegantes do Caos
sem Maria Betânia e sem The GaGa's Haus,
somos o perigo do começo,
o ponto final.

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Primavera Atordoada



Minha mente é atordoamento,
prece calada, deslumbramento.
O que tu vais fazer comigo?
O que tu vais fazer de mim?
Tu me tocaste e levaste para longe
de tudo aquilo que de antigo
existia dentro (existia aqui),
mas isso acaba não sendo sobre meninos e meninas, baby!
Isso acaba não sendo sobre sexo ou paixão! - Beije-me, beije...

Sou um aquário com peixes a nadar,
perecendo de sal, calado a cantar.
O que hei eu de dizer agora?
O que hei eu de fazer sem pudor?
Siga algo que existe de bom em mim
e me toque para longe sem demora,
mas me ache, encontre-me aqui.
Eu sei que isso não é sobre meninos e meninas, rapaz!
Isso é algo que brilha e cintila num momento atrás...

Minha mente é atordoamento
que no meu pensamento
quer sempre me deixar.
Por favor, me deixe encontrar
algo de sutil entre Adão e Eva,
algo doce para chamar de Primavera.



terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Ser Seu Melhor Amigo & Brincar Para Sempre



Eu pensei em você esta noite.
Com pernas arqueadas e beijo a lamber,
eu pensei em você (tão sexy fui ao banheiro)
e não é desagrado querer de novo provar.

Eu desenhei você na parede das minhas desilusões
e fugi com medo de me iludir,
mas seu sexo não é assim tão fácil
de esquecer, de fingir, de deixar pra lá.

Todos os anjos caíram ao Inferno agora,
e é tão perigoso ter medo de ver você de novo,
que eu tento fingir que não querer rever
o que na verdade cada dia eu desejo novamente acariciar.

Você pode me tocar com carinho,
porém não podemos ficar lá sozinhos
porque talvez algo de ruim vá ocorrer!

Você toca meu desejo e fura minha defesa.
Eu sei, eu sei que você ainda me deseja
mas é criminoso fraco e inseguro transparecer.

É arriscado escrever o que eu quero.
É temerário dizer que sim,
mas é tão difícil não querer estar de novo com você
e ter tantos filmes para ver,
mas é tão difícil não desejar sentir tudo em mim
e ter tantos motivos para se esconder!

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Família Destroçada



Minha felicidade de quando infante
parece tão distante agora,
que parece que nunca a senti em mim.
Desistindo de esperanças humanas,
aos poucos vou sucumbindo
e me tornando algo próximo de uma pedra.

Um sentido humano para chamar de amor,
algum devaneio antigo de algo que alguém me deu num tempo atrás,
mas não está aqui mais, não mais aqui!
Ninguém se importa
com toda sorte de dor e desonra que causa ficar assim,
mas eu sei que minha mãe estará lá,
que meu pai talvez me estenda a mão...


sábado, 7 de dezembro de 2013

Passos Para A Rua




Olhe para as estrelas e se acostume
com o brilho que vem de lá.
Procure rosas e louros para uma bela coroa,
porque estou no topo de Val-halá!
Pequenos passos,
toques de permissão,
um beijo na minha mão
e um desejo para chamar de agrado,
porque estou no topo
e não existe outro
modo de ficar aqui sem você!

Procurando o vestido da Via Láctea
e temendo tropeçar em Órion.
Meu rosto reluz diante do seu olhar
que foge de meus Dark Hollows qual fóton!
Tropeços na escalada,
toques de temor,
novos homens, antigo amor.
Por entre o fogo, uma antiquada adaga
a cortar o tempo,
porque, só lamento,
estou no topo e nada de você!

Depois de tantas pegadas pela estrada,
o final nem parece tão inesperado assim.
Hoje não tenho nome para chamar de meu,
não sou homem, nem mulher, nem (herm)Afrodite;
hoje, mesmo que você na acredite,
estou no topo
e não existe outro
lugar para colocar meu corpo.








segunda-feira, 25 de novembro de 2013

#AntiPeterPan



Partindo o batel para longe,
para longe além do monte e da penumbra,
para a Terra do Nunca!
Peter Pan, lindo e jovial, onde poste tu
tua pele de marsúpio? - No Sul, no Sul!
Partido Democrático e Social ornando
com conchas sertanejas um mundo menos humano.

Secretária para te levar para alhures.
Cerceado de pudicícia e de virtude,
eu te vejo me tocando e morrendo por dentro.
(menino travestido de senhor sarnento!)

Levante asas e voe longe, Hipócrates!
Não é pela Arte mas pela sorte
de contigo vislumbrar as joviais Plêiades!
Peter Pan, criança pagã, onde foste tu morrer
que dentro de teu casulo um monstro foi nascer!?
Partindo para Marte num pipocado interiorano,
eu te vejo travestido de maneirismos( és tão malandro!)

Secretárias, Dementadores e Reitores a te bajular,
mas onde foste tu tua cara de humano enfiar?
Eu te vejo tão pequeno e indefeso que é gentil
ver teus movimentos a se aniquilar ( Peter Pan Pueril)!

Quando eu sinto tua pele a tocar
as estrelas por entre as franjas do mar,
eu sei que existe algo de humano dentro de ti.
Não é ruim querer lutar contra o Zéfiros ou Arak'ati
pelo simples ato de te ver voar,
pelo simples ato de te ver negar
toda imaturidade que advém de tua idade.

Oh Oh Oh Peter Pan,
toma-me, toma-me!
(não me deixe necessitado de Roacutan!)





domingo, 24 de novembro de 2013

Q-V-A-S-A-R


Crise atômica e nebulosa
de partículas infinitesimais a dançar
por sobre os pés dos deuses.
Poderei eu ser diferente do que veio antes?
Poderei eu (tão mutante) ser viajante das estelares anteriores?
Serei eu Deus de mim mesmo?
Sendo eu tão distante, poderei me juntar aos Superiores?

Diante do Caos,
escapando pelas nuvens a dançar,
a dançar,
a dançar pelo Quasar!
Da Via Láctea ao braço norte de Órion,
cantando pelos átomos íntimos,
elétrons, nêutrons, pósitrons do F-I-M!

BUUM estelar de átomos
diante de Hiroshima e Xangrilá,
cravando terreno na minha entranha visceral.
Cantarei eu pedaços de um território sideral?
Rasgando a grande dorsal do Atlântico a pendular
por entre o fogo do Norte e o gelo Meridional,
sigo eu no meu abrir e fechar de braços a balançar.

Cravando a seta sargitárica
a perfazer o cândido caminho até o Apogeu da Terra de Zeus,
eu temi o beijo Erótico e os cantos de Iemanjá,
mas no fogo e na terra eu pus meu calcanhar
e, diante dos Deuses, todo meu pecado hei eu de para sempre pagar.

Cerceando o vento que sopra
do Arak'ati até o Zéfiro Fébico.
Calando diante de Perséfone
e dos Juízes a me julgar,
eu tomo a agada do tempo
e faço meu lamento
sangrar.




sábado, 16 de novembro de 2013

Teu Sexo Reaver



Travestido de eterno e sincero em seu passar,
eu mantenho meus desejos presos em mim,
mas eu temo que eles possam se espalhar, se espalhar.

Calando diante do Trono e dos Deuses que ladram,
o meu desejo de paixão não pode se perder
perante toda fome de sexo que o mundo vem vender.

Num momento seguinte, eu estou solto
e preso em meu próprio pecado,
mas como amar alguém tão desejoso
sem querer consumi-lo assado?

Eu saio nu diante do sol e preservo meu pudor
com dedos e folhas a esconder. Meus olhares
se perderam por toda a imensidão dos andares.

É o preço de amar ficar aqui e sentir todo este calor
que me derrete e se repete no eterno ato de acabar,
no movimento sereno da destruição recriar, recriar.

Num momento seguinte, eu fico louco
e tento seu sexo novamente reaver,
mas é tolo querer de novo algo
que de verdade eu nunca fui ter, nunca fui ter.

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

(Pra você) O Garoto Mais Importante



Não quero ver você poucas vezes!
Não quero ficar solene diante de!
Eu quero ser o garoto mais importante
e não quero por instante,
porque você é a garota que mais faz tremer...

Eu vou matar o mundo se ele a normalizar!
Eu quero você doida porque assim eu vou me curar.
Me ame, ame, chame, reclame
quando de noite distante
eu for ficar:
eu quero você para noiva e disso não vou abdicar!

Eu quero ser o garoto mais importante( pra você).
Eu quero ser o rapaz mais importante( pra você).

Não vou dizer palavras bonitas,
porque eu prometi comer você no meu falatório.
É importante ter dúvidas. O ódio
pode tornar tudo sólido
quando a destruição de novo se reiniciar...

Eu vou morrer se o mundo a normalizar:
estou amando uma Borderline (a quero amar!).
Me mate, cale, fale...vale
tudo no vil disparate
que é amar:
mas eu não aceito ser qualquer rapaz que foi a desejar!

Eu quero ser o garoto mais importante( pra você).
Eu quero ser a garota que vai a morar (com você).

Quero ser a menina que te fascina
e não vou permitir outrem na minha sina de te amar.
Quero toda sua psicose dentro de minha boca
e não nunca vou perdoar quem te chamar de louca.
Eu não aceito metade de você,
nem quero ser comprometido com a verdade
nem com o futuro da humanidade:
apenas me ame,
reclame,
me chame,
coma-me,
abrigue-me de mim... 

domingo, 3 de novembro de 2013

C-AMA Psicodélica



Excitantes posições rodopiam na mão.
Agressivamente perpassaste o portão.
Toque, toque a sorte
que a morte é vilã e sempre forte!
Come, coma o soma
que emana do lençol, da cama!

Sem palavras complexas para falar.
Motivos para te beijar e agarrar.
Fale, falo, fala com ele,
que não quero que me respeites!
Faca, fama, falatório
na cama não combina o horário!

As franjas do mar excitam o Deus capado.
As coisas caíram e no mar fizeram agrado.
Não quero ser amigo.
Não quero ser amante.
Não quero algo além, querido!
Apenas ame-me agora
que o depois sempre não importa!

Garotos beijam as garotas nuas,
mas eles sempre querem dançar na Lua.
Esquecer do nome e s'esconder
dos perigos que podem do A-M-O-R nascer.

domingo, 27 de outubro de 2013

Ela-escorpião Nº 2 ou O Ato Celestial d'Ondina




Mapa Astral
indica que estamos em Escorpião.
Eu me calo (ela toca a escuridão).
Amigos dum passado atrás,
mas agora é Guerra, não Paz!
Viajam prum conflito entre bem e o mal.
Viajam além dos amigos, além do final.

Eu pego fogo e me torno pó de novo.
Eu toco fogo (nela) e me torno parte do bolo.

Mande um sinal
de algo que seja real dentro de ti.
Pegue fogo (a razão de ser é se destruir).
Inimigos podem sempre mais
que um simples e fiel capataz...
Vendo um pouco de mim em tudo de teu.
Vendo um perfeito final para teu Deus.

Eu pego fogo e me torno diabólico louco,
apenas para te deixar longe um pouco.

Longe de tudo
e um pouco no escuro,
eu escondo teu retrato
dentro de meu quarto,
mas eu quero matar tudo do passado em mim,
quero matar todo pedaço de algo bom (quero o ruim!),
quero ir para uma terra sem teus comensais,
quero matá-los com a maldição de Ondina - tanto faz!
Eu temo que nós
sejamos uma díade cruel.
Eu temo que, sós,
cada um pode cingir o Céu
com todo fulgor que nasce do amor pelo pecado.
(não se pode viver no presente o som do passado)
(não se vive o poder sem se criar inimigos fortes,
nem se mata o destino sem se beijar o som da Morte)

Talvez seja apenas amor
o que entre nós acabou.
Talvez eu fui um bom amigo
num passado já perdido.
Eu digo para que sejas feliz com tua Iemanjá,
que sejas feliz com teus búzios de jogar
que eu vou comer meu aguilhão
e vou me envenenar num novo escorpião.

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Perene Vaidade



Na perenidade da vaidade,
as meninas pintam seu cabelo de rosa,
de vermelho, de cores do vestido e além.
O cúpido sempre erra na pontaria
e aponta sua faca para quem não queria
ter um novo amor ou amar outro alguém.

Juntos e sem dinheiro, críticos, ferinos
e citadinos a gente segue correndo
pelas estradas da Cidade e pelo transito.
As pessoas querem ser perenes
e, silentes, seguem tentando ser solenes
no ato mundano de viver tão perdido.

Eu queria, pequeno amor,
apenas um movimento de paz
e não querer querer você assaz,
mas a dança é envolvente
e faz todos cantarem um tom além.
No Paraíso de estar com você,
eu caio nas estrada que nos separa.
Me agrada, me agrada ver você passar
e sentir que o teor etílico vai acabar.

Todos estamos perdidos na balada
e não é motivo ou razão cair na estrada
sem um pingo de amor auto-dirigido,
não é ruim se amar no escuro do permitido.



domingo, 20 de outubro de 2013

$exNoir




Garras no couro cru.
Perfume misturado no ar
(Eu não sei como voltar).
Não queria te deixar nu,
mas não se pode fazer o que se quer
com todo o pudor de Maomé!

Unhas percorrendo o dorso.
Apertos, desejos e suor na cama
(Tem desejos que nunca ouso!).
O sussurro de minha voz te chama
e não é demais ficar calado te olhando
enquanto me sinto tão profano!

Ele quer te morder todo tempo.
Ele não quer choro nem dengo.
Querendo querer um novo motivo
para te chamar de além de amigo.
Querendo te morder e beber o desejo
que escapa de tua seiva.
Ajude-me aqui com sua mão e não
me deixe no lençol sozinho ( deita! deita!)


quarta-feira, 16 de outubro de 2013

O Motivo Da Evolução ( O Chão É Mera Consolação)




Meu corpo cala suas células ao teu tocar
(a mente exala algo que não quero mostrar).
Teus movimentos podem tudo em mim suprimir:
desde o desejo de em ti mergulhar até o desejo de fugir.
(Baby, eu poderia me iludir de novo e não seria eu mais um louco)
Se tu me queres não me deixe ir para lá sem ti.
Se tu me queres não me deixe na noite ruir.
Não me deixe sozinho lá.
Não me deixe sem tua boca pra beijar
(meu perigo pode apenas o mal despertar).
(Baby, eu poderia te vender para o mundo e me tornar um rico rotundo)
Todas minhas dúvidas somem quando juntos
(Tudo parece mais feliz e ameno no mundo).
Minhas dúvidas padecem no teu prazeroso sabor.
É deleitoso senti-lo profundo perfurando todo pudor.
(Baby, eles falariam de nossa sintonia enquanto algum de nós gemia) 
Não sei definir que tipo de pecado fazemos
nem que tipo de desejo plantei,
mas é algo proveitoso te sentir querendo
apenas mais um pouco de mim.
Talvez em outra época ou em outro coração,
meu comportamento seria todo feliz,
mas o tempo limpou meu ser de ilusão:
agora vivo na certeza da possibilidade.
Meu vácuo interior cobre tudo que chega perto.
Tu me preenches com coisas e é bom
ser assim! Temo te ferir e temo o trajeto
que faríamos quando em...
Toda forma de desejo é ilusão (é tão doce cair na tuas mãos...)
Toda forma de desejo é ilusão (é doce teu cheiro no colchão...)
(Se iludir é o motivo máximo da evolução!)
(Baby, esqueça isso de evolução: me pegue e me destrua ao chão)
Se tu me queres não me deixe fugir sem ti.
Se tu me queres não me deixe na noite ruir.
Eu não quero ter certezas.
Apenas me siga por toda malvadeza
de seguir nadando contra a maré,
contra toda fé que resiste na correnteza.

domingo, 13 de outubro de 2013

O Besouro Do Prazer Não Quer Te Ver Amar



Matar a arma branca que se esconde
por debaixo do sorriso incauto
e na noite fingir irmandade para apenas
desenganar-se num tecido falso.
Matei a virgindade e pureza que raiavam em mim
e pus no pus algo mais doce que um mero vinho carmim...

Branco olhar de esclera amarelada
por debaixo da escada, da sacada ele esconde uma faca!
Não é tentador beijá-lo nu ou coisa e tal,
mas é perigoso ter nele algum desejo além do superficial!
Antigos amigos deixados para lá
e uma boca nova, apenas novamente, para beijar
e na noite, silente, a todos enganar.

Sambar na vibe desperdiçada d'algum anjinho
e achar-se belo por não ficar ao fim sozinho!
Uma prostituta de poucos dentes esconde sua dentadura
por debaixo da lei que desgasta a nossa pintura!
Antigas proibições tomadas como lei
e eu não tenho mais virgindade para dar ao Rei,
e na noite, silente, eu vejo que de novo me enganei.

Matar a arma branca que se esconde
por debaixo do sorriso incauto
e na noite fingir irmandade para apenas
desenganar-se num tecido falso.
Matei a virgindade e pureza que raiavam em mim
e pus no pus algo mais doce que um mero vinho carmim...

Enterrei minha doce amargura
e caminhei sozinho às escuras
num caminho de quem sabe lá.
Não foi pouco nem foi seguro
beijar tua voz naquele escuro
n'algum desejo profano d'além mar...

Matando os porcos aos poucos
a faca vai perdendo seu tesouro
e não é caro nem dispendioso a amolar!
Por debaixo do morro, um besouro
pintado de negro ou de ouro
vem, com seu zumbido, te/me afugentar!

sábado, 28 de setembro de 2013

O Menestrel Defectivo



Vieste de longe estrada por entre fogo e navalha
e já chegaste com luzes de um por vir belo de não sei lá onde.
Eles cantaram no monte e ao longe teu nome a verdejar
por pedaços caídos e mortes de um amor que não vai voltar.

Tua voz me é tão amante!
Tão doce é te ouvir cantar mus'gas d'um amor factível,
que te amar, por pecador
ser, não pode parecer algo tão irascível.

Vestido d'um tom de amor e perdição no olhar
e com penduricalhos bons e deleitosos de se lamber,
tu chegaste e logo foste tu o que desde sempre procurei,
mesmo que nunca tenha eu sabido o que de ontem já não sei.

Tua cor e teu semblante
parecem algum novo sol a brilhar no céu morto do ocaso.
Não é vil nem tempesta' nágua pensar
que chegaste de tão longe para apenas comigo ter um caso.

E se de ver-te me coloro em pleno rubor,
e se de morte me prometes alguma forma d'amor,
hei de morrer pelas nódoas do mar que hemos de construir
pelas calçadas dalgum lugar!
E se de fogo se queima a floresta do teu cabelo,
hei de corar as perucas do reino para tê-lo
de novo como pentear!


domingo, 22 de setembro de 2013

O HomemSIDA




Vírus infectante de meu sangue,
caindo pela corrente de meus pulmões,
chegando ao meu profundo amor
e deixando nele apenas destruição.
Perfurando minhas defesas inatas, natas
e comendo meu sensório com a mão,
ele chega e destrói toda minha imunidade,
deixando-me nu ante o ar infectado do mundo cão!

Vírus andando por meu sangue pueril,
comendo tudo na minha artéria aorta...
Te amar não mais importa, não importa
já que meu destino é a vala gélida do vazio.

Fímbrias, cápsulas, dendritos mortos
pelos cantos do meu tecido conjuntivo.
Cheguei a pensar em morrer com você
em mim, mas nada pode sarar meu contágio!
Perdido pelos cantos do hospital, isolado
das mãos do mundo, tomo tudo no horário
e não deixo os frascos morrerem no chão:
doce, salgado, remédios, drogas, corolários.

DNA estranho na minha corrente de sangue,
e eu não posso deixá-lo cair em mutação!
Eu tomo de conta de meu corpo, mas a infecção
me consome todo e torna cada célula minha mutante.

Aproveite a seiva nua que escorre de mim.
Aproveite o começo, o meio e o fim.
Não deixe o tempo corroer seus desejos
nem deixe a velocidade dizer que é suficiente!
Deseje a simplicidade do silêncio
e a morbidade de se estar doente.
Aproveite a vida que a morte é sempre presente!


sábado, 14 de setembro de 2013

Ao amor, um brinde na Bastilha!



Todos os amantes mentem
sobre seus dotes na noite! (e isso não é algo tão bom assim...)
Víboras e vespas vespertinam
para sentir o sangue que aflora ao fim.
E eu não consigo ficar fora de sentir
todo seu movimento de perdição dentro,
eu não consigo me satisfazer com o toque:
preciso de seus desejos perto de mim.

Na noite passada, todos beberam
e se corromperam no chão.
Na noite passada não houve pecador
que não profanasse o amor cristão.
Minha mente não conseguiu esquecer
seu rosto, mas eu a dopei e a seduzir na escuridão.

Nosso destino é a cama suja de algo redondo,
alguma forma de consumismo carnal
ou ficarmos nus de frente para o mundo
numa posição nada usual ( alguma que ninguém fez igual!)

Todas as palavras ditas soam
na efemeridade dos dentes de leite ( e eu não consigo me eternizar!).
Lácteas secreções, pus em contaminação
pelas areias do chão, mas eu queria tentar de mim te deletar!
Seria tão criminoso querer algo mais forte
e duradouro que tudo aquilo até então?
Eu preciso de um novo motivo para te dizer ódio,
já que todos os antigos eu usei até cansar.

Na noite que acabou, brincamos
demais com pedaços de nós.
Na noite que acabou, eu e você
fomos diluídos em tantos pós
que não haverá tempo na curva
do tempo para sermos de novo um só.

Nosso destino é a cama suja de algum lugar quente,
alguma forma de corrupção desmoralizante
ou ficarmos nus e animados de frente
numa posição de amor despersonalizante (infernalmente Dante!)

Quando eu me toquei e senti os dedos chegarem no Nirvana,
eu notei teus montes distantes de um Olimpo cinzento!
Eu não queria acabar tudo da mesma forma anterior
nem queria dizer que existe alguma forma de amor,
mas eu amei brincar com teus pedaços por cima da cama
e fingir ser tudo limpo e doce (quando na verdade era grudento!).
Coisas rodavam pelos espelhos, e não havia como dizer não,
mas, na noite passada, eu senti teu beijo, teu desejo de união.
Deitado nos sonhos do que passou, eu acordo e tenho desejo
de ter pecados em comum para contigo compartilhar,
mas o meu rosto a refletir no espelho
grita para mim que o sol hodierno selou ontem a noite que foi acabar.

sábado, 7 de setembro de 2013

A Unidade Da Destruição




Luz negra colorindo de branco
as paredes escuras do lugar.
Pessoas sujas se tocando,
se amando a plenos pulmões
e eu não queria ficar rememorando antigas emoções.
Traga coisas novas para eu chamar
de passado,
traga novos jovens ditosos para eu soltar
o grito calado...

Todos os amantes gritam de dor
quando o amor passar e deixá-los ali.
Todos fogem daquele lugar,
mas sempre acabam retornando.
Eu não queria ficar ali apenas por algo novo esperando.
Traga blusas azuis para combinar
com meu "blue" sentimental,
traga novos amores instantâneos para acalmar
toda fúria jovial...

Naquele dia você usava preto.
Cobri seu olhar com um capuz...
Naquele dia você usava azul.
Brinquei com seus óculos - eu os pus, pus...
Eu me lembro, relembro, dos movimentos de aproximação
e dos toques no silêncio, na escuridão.
No meu pesadelo noturno, eu desejei ter seu cabelo na mão,
mas eu notei outros fios.
Eu beijei seu rosto procurando os sentidos antigos,
mas eu achei outro beijo na escuridão.
Entre toques e repúdios: eu quebrei minha solidão!
Naquele dia você usava cinza,
mas eu preferia você sem nada, sem dizer adeus!
Naquele dia você usava óculos novos,
mas eu preferia quando seus olhos eram apenas meus!

Nas luzes girantes, oscilantes, de ontem,
toquei a mão de alguém e amei o azul de sua roupa.
Nas luzes brilhantes, os amantes trocam
toques e nenhuma alma suja parecerá louca
diante da perversidade da ilusão,
diante da permissividade da minha mão,
diante da sujidade, caridade, humanidade,
unidade da destruição.


quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Lascívia



Lampejos e gente torta
correndo pela noite de sábado
com um pouco de etanol na veia
a correr, a correr.
Talvez esteja alguém a rezar pelos mortos
ou a tentar jogar pérolas a...
A vaidade pode nos tornar alguém menos feliz
mas tudo pode acabar em pó de...

Beije-me como nas revistas de amor,
me escreva belos poemas de amor,
não me deixe ver seu olhar correr sem pudor
pelos lábios de quem você ainda não beijou.

Beije-me com vaidade,
mas não me fale de virgindade
esta noite, esta noite.
Beije-me com desejo,
mas, por favor, não machuque meu cabelo
apenas esta noite, hoje!

Olhando os amigos que se
foram pelo mundo da cultura
se perderem nos seus ícones fiéis,
pelos papéis, fidéis.
Talvez eu queria olhar as pessoas na fé
de ser apenas mais um homem-...
A cidade anda suja, e eu ainda nem falei
das pessoas que um dia eu...

Toque-me de um modo amoroso,
não esconda nenhum buda ditoso,
ou queira fingir que você é formoso,
porque nosso flerte será desonroso.

Beije-me, beije-me sem pudor,
não o esconda no cobertor
esta noite, apenas por esta.
Deixe de pudicícia que a lascívia
pode tudo em sua vida transformar
apenas esta noite, hoje.

(desde cedo os meninos brincavam com pequenas partes de si,
mas na noite e sob o açoite de quem quer que seja por aí,
todos se calam e brincam em pensamentos torpes, sujos, fortes
que não podem revelar sob a luz do sol.
talvez as meninas tivessem maneiras diferentes de parecer sexy,
ou talvez não seja o cabelo delas o que mais apetece,
mas não se pode olhar o pudor dos outros e calar apenas a boca:
tem-se de rezar para os Deuses postos à ceia
e brincar de ser homem ou mulher conforme manda a Suprema Fé.
tudo fica um pouco mais divertido com um toque,
tudo fica um pouco menos cansativo com um "me prove")

sábado, 17 de agosto de 2013

O Buraco Do Cosmo É Apenas Um Movimento De Paixão



Antífonas a ouvir no som boreal.
Sob a noite de Gilbratá existem Vizires,
estrelas quasares e o tempo a bailar...

Sob o olhar convergente, divergente,
eu toquei o seu sinal no lado esquerdo
e tremi as pernas de tanta paixão,
senti e vi que o tamanho não era pequeno assim.
Escondi o olhar com os dedos,
mas debaixo das cobertas não escapei de mim.

Pico de um cume que não se pode escalar
sem usar algo para acariciar,
eu toquei no zênite mas não existia uma
bandeira para nele enfiar.
Talvez eu não fosse o escolhido para fazê-lo vazar, fazê-lo vazar.

Por detrás da máscara de rapaz correto,
ele usa meandros, falas, trejeitos para se esconder de...
Eu tive medo de passar o tempo todo
querendo fugir de algo assim, mas os vultos me animaram.
Escondi o crepúsculo por detrás do véu,
e aos poucos os desejos em nós as lascívias afloraram.

Pico de um cume que não se pode mais tocar
(refugiado num país qualquer dum amor d'acolá!)
eu toquei nas plêiades de suas costas, só que
não levei bandeira para nelas enfiar.
Eu não fui tão amigo para fazê-lo notar que a paragem vai mudar.


sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Sonhar Com Você



Depois de tanto tempo,
sonhei com você.
Você estava do mesmo jeito,
você estava ali, e eu passei.
Eu sonhei, eu sonhei.
Depois de tanto tempo,
tantos outros ventos e lamentos,
novos amores chegaram e foram,
mas eu apenas sonhei com você.
Você estava do mesmo jeito,
você era apenas você.
Você estava ali, e eu passei
mas eu falei e você respondeu -
isso não ocorreria de verdade.

Depois de tanto tempo,
depois de três anos, eu sonhei com você,
mas eu não fiquei triste por não ter
mais,
eu fiquei alegre por ter visto você,
mesmo que em devaneio,
mesmo que em ilusão...
Você estava do mesmo jeito,
do mesmo peso,
com os mesmos óculos,
com o mesmo cheiro.

Depois de tanto vento,
depois de eu ter andando por tantos lugares,
tantos foram os amores, tantos os chorares,
mas apenas você estava ali,
eu sonhei com você.
Depois de tanto tempo,
eu passei por você e você falou comigo.
Eu queria ouvir sua voz, ser seu amigo
para sempre ter como guardar
aqueles meses em mim,
mas você partiu para longe e agora
voltou,
mas eu não pertenço a você
desde todo o tempo que nos separou.

Eu sonhei com você numa fila.
Eu passava e você me chamava.
A gente se falava e no final um leve "tchau".
Eu sonhei com você e não me fez mal:
eu gostei de ver seu olhar,
gostei de sentir você falar.

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

O Não-Amar Ou As Armadilhas Do Berz'ebu Para Os Filhos De Deus


Se você achar um amor
que eu digo ser o meu,
mate-o, por favor,
por em mim tudo já morreu!



Eu queria um pedestal pra pintar minha cara
e beijar a lua com uma faca afiada de sangue e dor,
mas eu escolhi uma posição sem piedade
ou sem alguém para me proteger de minha mesma dor!
Serei eu o meu próprio demônio,
serei meu próprio suserano!
Sem amores para amar, sem beijos a desejar,
sem olhares, sem anjos para adorar!
Eu queria uma tempestade para levar minha casa
e plantar algo além daqui, alguma nova muda duma flor,
mas eu plantei meu amor no solo, e dele nada
cresceu, nada cresceu e no som do tempo tudo terminou!
Semeei eu o meu próprio óvulo,
semeei meu trono, meu ósculo!
Sem dores para chamar de minhas, sem casa pra voltar,
sem um amor pra "meu" chamar!

Eu piso na areia do deserto do Ceará
e chuto a carcaça do Diabo pra lá!
Minha semente morreu sem fecundação
por entre os sonhos de toda nova paixão.

sábado, 3 de agosto de 2013

Ela Bateu No Cupido E Foi Dançar




Pessoas bem aprumadas e de faces felizes.
Ela vestiu o melhor vestido e bateu no Cupido
que tentou a enganar com tramas de amor.
Nesta noite ela apenas quer dançar e se sentir
mais feliz , longe de tudo o que a pôs no comprimido!

É crítico beijar outrem ontem na noite pagã,
sentir a Bola girando, girando com sua polidez cristã,
mas na batida da Lua a luarar sente-se a noite mordendo
os desejos dos homens que gemem se lambendo!
Lambendo a música púbica que os faz amar!

Seguindo o movimento das luzes e do som,
ela pôs a mão nos ombros do rapaz e pediu
que ela a beijasse. Ela rodou e a Bola não parou
de brilhar sobre o beijo que daquele toque surgiu!

É lícito beijar outrem ontem na noite saturnal,
sentir a Bola girando, movimentando o corpo no umbral,
mas na batida da Lua - chez moi!- sente-se a noite beijando
os desejos daqueles que fingem amar qualquer estranho!
Beijando a música púbica que os faz amar!

Ela se sente tão pura e tola na linha de frente
dos olhares que a fuzilam como carne a se comer,
mas ela ama se sentir na noite e ver tudo se acabar,
ver todo mundo beijar o estranho, fingir feliz ser.

Cicatrizes que apenas a lua pode fechar,
sentidos e desejos que apenas a Bola pode silenciar,
gemem e gritam na pele dela, dela menina
que um dia não teve como da disco escapar!

segunda-feira, 29 de julho de 2013

Mucosa Jugal



Caindo como fogo-fátuo,
temendo nada, árduo,
sigo pisando em vidro quente!
Eu digo que de fato
não existe motivo,
razão ou porquê pra ser amado.
Ferindo os dedos da mão
com fogo e febre
de uma sífilis sem solução!
Noite, sabes tu sentir minha paixão?
Noite, sabes tu sentir minha paixão?
Noite, sabes tu?
Perfazendo círculos denteados,
eu te mordo molhado.
Tocando na ferida, úlcera sangrante,
de tua mordida fatal,
eu apenas sinto teus flagelos,
eu sinto teus flagelos na minha mucosa jugal.
Noite, eu preciso te fumar até o final!
Noite, eu preciso te fumar até o final!
Posso assim tão mal?

Fecho meus olhos, mão a me tocar.
Os motivos da parede lembram estrelas a rodopiar,
rodopiar, rodopiar...
Eu temo um novo sabor para chamar de meu
e calo diante de um olhar sem medo de provocar.
Fujo dos nomes comuns mas não consegui fingir
por muito tempo que era bom estar ali.
Sartre não pode me entender sem álcool assaz
para tirar de mim a curva solene da paz, da paz!

sábado, 27 de julho de 2013

Dançando Conforme O Termidor ( No Silêncio Do Barulho)



Tudo jaz a rodar
e eu não consigo perceber
as luzes dentro da casa.
Tocam sua música,
mas eu não posso abrir
os olhos e não ver você lá.
Pessoas tocam o
meu rosto, não entendo
como não notam que não estou ali.
Os lugares têm um
cheiro tão diferente sem você
perfumando o silêncio do barulho.
Julho, Julho, não podia passar sem deixar você longe de mim!?
Juro que não é muito pedir para um Termidor mais ameno!
E eu sei que não existe remédio,
não existe terapia para meu deslumbramento,
mas eu quero fechar os olhos e ver você ali me beijando.

Fumaça pelos cantos,
meus dedos tocando o vapor
do mal que o cigarro exala.
Fechando os olhos,
sinto todos os movimentos
e não reconheço você ali.
Os dedos tocando a tela,
e eu tocando o seu sono
com meu grito de saudade,
mas é tão patético ficar assim,
que não cabe na noite
todo medo de ficar ali.
Junho e Julho sempre me terrificando com devaneios de paixão!
É muito pedir um Termidor sem tantas despedidas?
E eu sei que não existe terapia,
não existe solução para minha fantasia,
mas eu quero fechar os olhos e ver você ali me beijando.


quinta-feira, 25 de julho de 2013

Ode Ao Silêncio



Uma pausa na respiração,
um olhar perdido, uma volta de cabeça
e um olho-no-olho. Silêncio.
Eu notei algum lampejo na sua visão.
Eu tive de ficar calado e
ver você tomando sua decisão.

Todos temos pequenos instintos
e formas menores de palpite. Eu já sabia.
Frases não ditas por inteiro. Dores
silenciadas em reticências sem fim. Fingindo
ser normal, eu vi tudo ocorrer diante
de mim, mesmo cada vogal doendo, ferindo.

Vivendo tempos esquecidos,
vendo heróis partindo para guerra,
deixando o tempo correr por entre,
calando e ficando silente.
Eu não precisava nada mais do que você
sob a luz da Lua e com un petit de Français

Não é orgulho nem egoísmo ficar calado,
mas é tão estranho ter sido tão
doloroso ver você ali tão por outrem apaixonado.
Eu não precisava nada mais do que você
sob a luz da Lua e com un petit de Français

Talvez eu não quisesse ter saído dali,
mas eu não podia ficar parado
vendo você de todo nosso círculo fugir.
E agora eu notei que todos meus heróis
e soldados estavam mortos:
pelos rios as labaredas, os corpos...

Eu não precisava nada mais do que você
sob a luz da Lua e com un petit de Français
Eu não precisava nada mais do que você
sob a luz da Lua e com un petit de Français


terça-feira, 23 de julho de 2013

Retalhos Na Parede Picotada




Eu picotei fotos antigas
e as colei na parede.
Eu cortei pedaços de mim,
trejeitos perdidos,
amores comprados e outros
brinquedos de não sei o quê
e colei, colei na porta de entrada.
Eu vendi minha alma para tentar ficar mais limpo de mim,
tentei cortar os pulsos mas não saiu sangue ao fim.

Ela tocou os ombros e disse
algo que não consigo
entender o motivo certo,
mas ela deixou um passado
e foi embora sem dizer adeus,
deixou tudo aqui e foi embora
bem quando eu ia dizer que...
Eu vendi minha alma para amenizar os sofrimentos vãos,
mas todo sentimento é tolo, é parco, do amor à paixão.

Ela roubou minha alma e foi embora!
Ó ela fez isso comigo, e não importa
mais o que eu faça agora,
porque ela levou, ela levou, ela levou
minha alma embora agora, e não importa
o que eu diga, o que eu conte a mais -
não importa!

Eu acreditei no que ele me disse.
Deixei que colasse coisas em mim,
mas ninguém nunca sabe o que será.
Ele tomou minha cola e colou algo
estranho na porta da minha casa.
Eu tentei tomar de volta tudo o que perdi,
mas ele foi embora com ela antes de...
Eu vi coisas caírem então e eu não calei a boca, não,
mas na profundeza de minha luz, sempre escuridão.

Ela me disse coisas de amor
e de beleza e eu a vi pela janela,
mas qual caminho tomar? Qual?
Eu queria saber onde perdi
minha alma, onde perdi a calma?
Ó eu sei que ela levou consigo
toda forma de paz e de leveza em...
Ó e eu vendi minha alma para comprar um novo telefone,
mas minha conta não aceitou, ela não estava nem no meu nome.

Profundamente, dentro das portas,
ninguém sabe ao certo que caminho tomar.
Será que eu terei como tocar
as coisas que tu quebraste quando saiu?
Eu queria tomar tudo de volta,
mas eu deixo partir com as portas, com as portas...

sexta-feira, 19 de julho de 2013

Meus Olhos Castanhos




Quebrando coisas depois que você partiu.
Esperando algo novo de mim, mas (que surpresa!)
eu continuo andando, seguindo, olhando
para um olhar que para longe de mim fugiu.

Quebrados os sonhos e tudo aquilo que eu fiz
por motivos que não entendi, por motivos estranhos.
E eu queria apenas ver você por meus olhos castanhos...

Queria ter ajuda para saber tudo que preciso.
Caindo pelas paredes, batendo a testa no castelo
que eu vi você construir de tão puro e belo desejo,
para me sentir tão seguro, tão em você protegido.

Querendo sonhos e tudo o que eu deixei ir.
Vendo tudo isso escorrer em meus prantos.
Desejei apenas ver você por meus olhos castanhos....

Agora eu vejo que não nos queríamos do mesmo jeito.
E o jeito que eu vejo você partir não me agrada,
mas é o jeito deixar você ir pela estrada.
Não, não, não é do mesmo jeito que nos víamos!
É ruim ver você ir embora, me sentir tão tacanho,
olhar no espelho e não ver seu olhar em meus olhos castanhos...



terça-feira, 16 de julho de 2013

Café Com Leite



O vento traz palavras ditas
num tempo anterior.
Eu não as toco mais,
as vejo feitas em amor.

A Lua tanto que amou nos ver ali.
A Lua passou por nós, encantada, a sorrir.

Por entre tudo dito antes,
medos calados, entrega.
Eu não vejo sair de mim.
Parado, sigo na espera.

A Lua nos amou e eu amei também.
Ao Sol a Noite faz sempre algum bem.

Ao final, íntimos, ínfimos,
sentindo o toque da mão.
Não vejo mais, eu não vejo
mais teu rosto na escuridão.

domingo, 14 de julho de 2013

Proximidades




Tão perto,
calado, singelo,
ficamos ali.
Pensei em antes.
Pelas janelas, amantes
não estavam ali.

Andei todo este tempo tão sozinho e não foi tolo querer voar para longe,
voar para longe, onde não se podia ver morro, terraço ou monte.

Não importa
se tudo foi embora
como sempre foi.
Sozinho sempre,
eu senti a gente
se desfazer depois.

Falhei em amar logo: não há pecado pior debaixo da linha do Equador,
mas pelas janelas cerradas eu sinto um cheiro doce do que passou.

Próximos encantamentos, próximos cheiros e beijos...
Talvez seja este o meu jeito
de mentir algo que eu não sei de fato onde começou.

domingo, 7 de julho de 2013

O Churro Hilst



É um tanto quanto estranho
querer algo sempre tão doce assim.
Morder entre lábios, pelo canto
sentir o doce de leite escorrer.
Não seja mais um churro tão difícil de se achar!
Eu quero algum grande para morder - me saciar!

Eu consigo morder todo o tamanho
mesmo doendo no palato.
Eu preciso de algo doce e castanho
para comer no almoço, desjejum e jantar.
Não deixe escorrer o líquido pelos cantos, baby!
Eu quero ficar perto do churro e tomar o deleite!

Eu acho tão sexy e apreciável algo tão doce assim.
Eu talvez tenha tanto a pagar mas não é caro para mim!
Um churro tão gostoso de morder e comprar
não deve ser deixado de lado sem um beijo leitoso pra acariciar
o ego do dono! O ego do dono!
É um doce churro este que como!

Na última noite, eu pensei em algo físico
para explicar o desejo fatal que se sente
por um obelisco tão palpável e rígido
como o que eu vejo tão rijo na minha mente.
É tão sexy viver com você!
É tão sexy sentir seu açúcar aqui
na minha pele! Tão cult é você
que é estranho não querer.


Manifesto Pirikitista



Uni-vos, todos vós,
que vestidos de vermelho,
com penas de revolução
pintam o rosto c'um Mac!
Uni-vos, todos vós,
que vestidos como Padres
pintaram de azul-celeste
as paragens do Sacro-Império d'Sertão!

Ó o papagaísmo prefrentista de tantos intelectuais(?)
dança como senhoritas nuas pelos bosques do Planalto Central!
Ó o ludismo, lulismo, petismo cubista dos que não sabem
que(m) foi o que tanto dizem - Queimem! Calem! Matem!
Vamos falar de temas sociais!(Oh yeah, guy!)
Vamos pintar tudo com temas sociais!(Ô ô PaPai!)
Mas o que sabemos nós do social?
Vamos pintar a cara de pavão!(mistério, misterioso em canção...)
Vamos ser cult, highcults; não simplórios!
Vamos cantar Chico Buarque
e vamos falar de Piaget, Darcy Ribeiro,
mas não se importe com o primeiro
que perguntar sobre eles:
basta chamar de reducionista,
de porco pequeno-burguês,
elite, tucanista, vil e terrível capitalista!

Nós somos os papagaios que não sabem o que dizer,
somos filhos do devaneio urss-ista de alguma nova Revolução,
mas não importa se não sabemos quem foi Bakkunin,
não importa nunca o "intemezzo", apenas importa o fim!

Ó o pirikitismo de uma ditadura da opinião com tons vermelhos
e algum charuto para fumar. Territórios antigos com sapatos
novos para que pensem (eles) que nunca foram por ali passar!
Viva a Revolução! Comunismo é a Solução! (mas do meu Iphone tire a mão!!!!)
Vamos ouvir Maria Bethânia(GaGa não pode, não!)
e debulhar as lágrimas dos pobres!(Mozart é contramão!)
Talvez um novo funeral
para algum antigo lavrador(Ars Poetica é elitizado!)
mas não se importe se questionados
formos sobre nossas leituras,
porque ser intelectual no Brasil
é apenas citar coisas sociais e ter
sempre algum veneno mirado contra a elite
(nunca deixem levar o teu tênis de grife!)

N-n-nós somos os papagaios da Revolução, my dear lover!
Não importa se antes nunca lemos nada sobre o Piaget ou R. Duprat,
sobre música popular e coisas que eles amam nos ouvir falar!
Apenas queira ir para Afrika e tenha planos de uma nova manifestação!

Debaixo do escudo do mensalão e do bolsa família,
vamos deixar todos escravos com o pirikitista pão!
Não importa se vamos quebrar o país com tamanha arrumação,
mas temos de sempre falar da linha da pobreza
e sempre chamar os críticos de elite - com certeza!
E eu não queria mesmo viajar para Paris ou conhecer
algum novo Aiatolá, mas é tudo em nome da Revolução!
Vamos dizer que tudo é novo e que nada é antigo,
pintando-nos dum tom social que isso agrada intelectual!
E vamos culpar a Imprensa, criar nela um inimigo interessante,
mas vamos pagar as dívidas dela também( porque novela é viciante!)

Eu sou o seu amor e você é meu tutor!
(Oh baby, my body needs your P.T.!)
Eu sou o seu amor e eu desejo tudo sem pudor!
(Oh honey, I luv to be there, in Alcacer-Quibir!)

Ó ó ó meu pirikitismo afaga o ego
e desata algum novo protesto! - vamos derrubar o Facebook!
Ó ó ó eu sou lulista, petista, pirikitista
e nada é mais lindo que a Cuba Comunista! - não faça isso co'meu MacBook!
Mas eu digo e repito não toquem no meu charuto, não!
Não toquem no meu Iphone - em nome da Revolução!
Eu quero ser um novo Al Capone e vou beber na teta da Nação!
E se disserem algo de mim ( Tucanismo!)
vou chamá-los de filhos e filhas podres de Eva e Adão!

sexta-feira, 5 de julho de 2013

Quatro de Julho de 2013


Cerveja derramada
por debaixo da camisa,
ora inteira, ora rasgada.
Amigos juntos amam mais
do que inimigos órfãos
de um segredo, sem paz.

Sujos pelo lençol preto
caindo pelos lados, seguindo
em contrição,em segredo.
Não é sagrado nem profano
ficar calado, orando por
um amor tão forte, tão humano.

Numa quinta sem feira na rua,
corremos pelo mundo
e ficamos pérvios, nus, nua.
Não é ruim ter namorados ali
por entre o vento que corta,
por entre Fujiyama ou Fidji.

Dormir de calça vermelho-couro,
negras, brancos, pelados,
e ficar sorrindo como tolos, loucos
pela noite redonda a girar, a girar,
por entre devaneios tolos,
silêncios, beijos, mordidas a gritar.


domingo, 30 de junho de 2013

Perto/Longe De Mim




Sem saber aonde eu ia, eu cheguei num bom destino.
Achar teu jeito ali, perto do fim, e ser tão teu.
Tolo, bolo, louco é meu jeito a te olhar: sentido felino.
Tu fizeste certo comigo! Nem sei mais quem sou eu
e quem é este rapaz tão apaixonado,
tão tolo e arrebatado pr'algum lugar feliz,
pr'um lugar tão longe daqui, onde sempre quis
estar mas que talvez fosse tão afastado.
Talvez eu e tu possamos fazer um novo caminho para casa,
tecer histórias bonitas perto dos bares e ser felizes tão gratuitamente.
Talvez eu e tu possamos fazer uma nova Lua e ficar calados,
esperando o modo como o Sol gosta de acordar tão lentamente.

Sem saber que eu fico sempre te olhando calado,
eu sigo meu caminho por entre o mundo e fico pensando:
será que eu mereço tanto? - tão bom te ter ao lado
que é estranho pensar no antes - Estranhamento tamanho!
Este rapaz tão apaixonado sou eu
e é bobo, tolo, louco, querer ficar imune,
pensar que posso sair livre, incólume
de tanto querer que me sucedeu!
Talvez eu e tu possamos usar óculos escuros e cobrir o olhar
para que o mundo não note o que nasce de nós naturalmente.
Talvez eu e tu estejamos tão enebriados que pareça simples
caminhar todos os metros que desaguam além do Oriente.

Não fica triste se fico tão silente perto de ti
é que é tão ruim conseguir falar algo com tanto a dizer.
Não quero parecer sempre tão idiota e abobalhado,
mas qualquer mote de poema é pouco para te descrever.
Eu quero ficar perdido no caminho pra casa, sim,
e quero ficar perto de ti quando tudo recomeçar,
mesmo que o Sol não queira sair, mesmo que a chuva
comece a cair perto de nós! Eu não quero ficar sozin'!

Tens algum outro pequeno beijo para me trazer de volta
para longe de todo canto distante de ti?
Tens algum novo beijo para me trazer um novo ar
que me faça perto de nós, longe de onde eu fugi?




domingo, 16 de junho de 2013

A Dermatologia Do Encostar



Senti sua pele
encostando na minha
e agora eu ouço seus apelos
falarem pelos
desejos que desatam em mim,
pelos beijos que encantam a mim,
pelos apelos excitados no fim.
Quase que alguém
nos flagra nos beijos de sempre
e que sempre pedem desejos,
que falam apelos pelos
beijos que desatam em mim,
pelos cheiros que encantam a mim,
pelos gestos excitados no fim.
Eu amo sua pele em mim.
Eu amo seu pelo encostando no meu.
Eu sinto tudo dentro de mim,
como se eu suportasse tudo que vem de você,
como se eu abrigasse tudo que nasce de você,
como se eu incubasse tudo dentro de mim.

Quanto mais eu toco, mais eu quero ficar aí.
Quanto mais eu fujo, mais eu pareço parte daí.
Existem movimentos que não podem ser feitos
com tamanha proximidade,
que desatam tamanha intimidade,
que desejam bocas, lábios em insanidade.
Quanto mais eu sinto, mais eu quero sentir aqui.
Quanto mais eu fico, mais eu não quero partir.
Então eu fico amando sua pele em mim
até que ela e a minha se tornem apenas uma.
Então eu fico beijando seu jeito pelos
desejos todos que eu almejo realizados.

sexta-feira, 14 de junho de 2013

Eu Amo A Revolução Mas Eu Preciso De Uma Nova Bolsa De Varsóvia



Patricinhas enfeitadas com bandeiras vermelhas
correm pela estrada comendo hamburguer
sem nunca antes reclamar, sem nunca notar
que do lado da estrada existe um qualquer a passar.
Revolução, revoluções, eu preciso parecer cult.
Revolução, revoluções, eu vou citar Marx e não há quem me insulte.
Revolução, minha convulsão não precisa de outra vitória:
eu preciso de uma nova bolsa que pareça de Varsóvia!
Na esquina vendem alguma nova revolução
pintada com tons de Utopia e alguma coisa de 1984,
mas não se preocupe que ninguém lá leu isso,
que ninguém lá pode saber o que tem no livro.
Revolução, revoluções, eu preciso parecer cult.
Revolução, revoluções, eu vou citar Marx e não há quem me insulte.
Revolução, minha convulsão não precisa de outra vitória:
eu preciso de uma nova bolsa que pareça de Varsóvia!
Defensores ferrenhos do fogo de Stalingrado
seguem cantando um novo mote para chamar de partidão,
mas a menina que tanto grita na frente se perdeu
quando alguém citou um nome além dos que ela aprendeu.
Revolução, revoluções, eu preciso parecer cult.
Revolução, revoluções, eu vou citar Marx e não há quem me insulte.
Revolução, minha convulsão não precisa de outra vitória:
eu preciso de uma nova bolsa que pareça de Varsóvia!
Eu saio da casinha com meus cachorros e noto
pessoas com máscaras, fantasias de algum antigo herói,
mas eles que votaram na Papagaia Geral da Nação,
foram eles que são o circo para o já antigo pão.
Revolução, revoluções, eu preciso parecer cult.
Revolução, revoluções, eu vou citar Marx e não há quem me insulte.
Revolução, minha convulsão não precisa de outra vitória:
eu preciso de uma nova bolsa que pareça de Varsóvia!
"Viva a Revolução! Viva a Revolução" eu ouço alguém gritar,
mas na mesma pessoa que ergue a mão, vejo um Iphone
a registrar todo o movimento, porque não basta protestar:
alguém deve todo o movimento na rede social compartilhar.
Revolução, revoluções, eu preciso parecer cult.
Revolução, revoluções, eu vou citar Marx e não há quem me insulte.
Revolução, minha convulsão não precisa de outra vitória:
eu preciso de uma nova bolsa que pareça de Varsóvia!
É terrível e desalmado falar mal do nosso grande Irmão.
É proibido pensar numa outra forma de líder que
não o antigo e velho grande Lidão. No Morro a morte se desfruta,
mas o que importa é parecer de inteligente e de esquerda, truta!!!
Revolução, revoluções, eu preciso parecer cult.
Revolução, revoluções, eu vou citar Marx e não há quem me insulte.
Revolução, minha convulsão não precisa de outra vitória:
eu preciso de uma nova bolsa que pareça de Varsóvia!
Este é o preço da Revolução! Eu posso comprar a revolução
com seus brindes de Che e de Fidel, porque é pop,
é inteligente citar os dogmas sociais e comunistas. Não importa
se eu nem sei quem escreveu o Capital - não mais agora!

quarta-feira, 12 de junho de 2013

Eu Pintarei Teu Nome No Meu Chão


Eu toquei na Lua docemente
sobre a fronteira do coração,
e nela plantei aleatoriamente
algum novo poema, nova canção.

Estrofes escritas com sangue
e algum sofrimento na poética,
mas eu te vi e te quis de relance
no fim de uma noite gélida.

E eu toquei no chão e senti o calor
que saia de teu pé.
Eu toquei teu rosto e senti teu olor
por entre tantos rostos sem fé.

É doce te sentir por mim deslizar.
Bem além da fronteira do norte,
eu te observei sorrindo a beijar,
criando uma nova esperança tão forte.

Eu beijei o chão e nele plantei teu odor,
mas o vento o fez chover
por entre as plantas que alguém plantou
no meu bosque em degradè.

Eu pintei teu rosto onde tinha outra voz,
chorei nas cores que eu criei
e te dei um pouco de minhas lágrimas em foz -
águas de um rio que um dia nadei.

sábado, 1 de junho de 2013

Chove Em Mim



É tempo de tentar se achar e negar todo
o passado que ainda corrói dentro.
Parecia tudo tão resolvido e distante
antes de te sentir tão perto outra vez.
É tão maior do que eu...
É tão maior do que eu te amar e perder o controle,
querer ligar, pedir motivos para te ver passar,
mas todo passo que eu dou em tua direção
é mais três que eu me distancio da antiga paixão.

É tarde para notar que eu nada mudei e
que eu continuo tão confuso contigo aqui.
Quando a distância sepultava qualquer desejo
parecia tão mais simples conviver com a ausência.
É tão errado ficar assim...
É tão errado e tão caro te amar depois de tudo passado,
querer ligar, caminhar os mesmos passos de antes,
mas todo movimento que eu faço de aproximação
é mais uma prova de que tu já não me queres na mesma mão.

É tão tarde para querer algo além do que um "olá"...
É tão tarde para pedir algo novo, algum novo olhar...
É apenas um passo contra a corrente.
Eu já te vejo tão feliz, tão renovado e contente
que é tolo e ruim querer pensar apenas no fim.



quarta-feira, 22 de maio de 2013

O Equinócio Do Eu



Dedilhando a harpa da monotonia,
da sagaz, talvez feliz, fantasia
existe um Eu que pensa em mim diferente.
Estrelas a se lembrar do Parto Inicial.
Estrelas Cadentes silentes em seu Ritual.
Deus e deuses na minha cabeça dançando
e toda minha futilidade segue amando
um ser tão diferente de mim, tão de mim diferente.
Estrelas e Solstícios no verão do meu Quasar
e existe sempre algo em mim que quer mudar.
Quando meus olhos me olham no espelho
há algo estranho nos campos de centelho,
mas não os posso cortar com a navalha de mim mão.
Este e estas velas, temidas donzelas, a me guiar
por entre a escuridão que nasce em Gibraltar.

Tempos iguais de clareza e de escuridão.
Tempos iguais para se lembrar da vida e da morte,
sentir o vento bater, sentir a luz queimar a face.
Tempos iguais e tempos leais para radiação flamejante,
nascente do sol poente, qual Juno cintilante.


domingo, 19 de maio de 2013

Acariciando O Que Passou



Toquei a parede
cheia de lágrimas e lodo
de quando parti.
Senti toda a mentira de
viver feliz e notei algo
antigo a me fazer sorrir.

Caindo na armadilha de lembrar,
caindo na armadilha de recordar
e seguindo a batida de seus passos
que de sangue tudo foi manchar.

As coisas podem
sempre mudar ou não.
É fútil ficar aqui
mesmo com tudo para
ir embora. É estranho
estar vivo tão longe assim.

Silente e pueril eu sinto suas mudanças,
silenciando minha voz, perco as esperanças
de algum novo e feliz final: já calei os sonhos,
já me deparei com suas novas bonanças.

Apenas sentindo o copo caindo
pelo chão. Tocando seu rosto na memória,
sentindo nossa última comunhão.
Talvez não seja tarde para dizer
que eu fui tão feliz que poderia morrer...



quarta-feira, 8 de maio de 2013

A Ti Toda Minha Iconoclastia



Fera calada que segue olhando a estrada
por entre as pessoas que dizem amor,
qual um lobo sujo do sangue comido e tolo
em pensar que há algo além do proibido.
Eu sigo comendo pedaços de mim e tomando
meu próprio suor como refeição. Toda nossa
história, todo nosso amor é posto em prova
na minha crucificação.

Estrelas e outras figuras de um amor poético
ou alguma forma de dizer que foi bonito
não fazem mais sentido na minha carne póstuma,
comida pelos vermes do passado e dilacerada
por alguma forma de vida que não sou eu. Bebendo
minhas entranhas qual vinho tinto-fogaréu, eu sinto
seu novo-eu se distanciar da imagem que criei
e pintei no lugar mais puro do Céu.

A ti toda minha iconoclastia, baby!
A ti toda minha heresia e forma de profanação,
já que eu te quis em mim e nisso foi nossa fatal comunhão...
A ti toda minha iconoclastia, baby!
A ti e apenas a ti minha forma de lascívia e amor terreno,
já que teus olhos já não me olham mais tão serenos...



terça-feira, 7 de maio de 2013

A Proliferação



Seguir calado com medo
de dizer algo errado
ou chamar atenção.
Eu escondo minhas feridas
e as enterro com a mão,
mas eu sinto que vou me corroendo por dentro,
sendo algo ou alguém diferente.

É estranho viver assim por entre as sombras.
É estranho sentir-me tão vazio e sem honra.
Procurando restos de mim no sangue que saiu,
pensando em algo novo antes de ser tão vazio.

Às vezes pareço forte
e tão seguro do futuro,
mas aqui dentro cresce
algo ruim e não seguro,
algo que aos poucos me enfraquece.
Eles dizem que posso ter chance de viver comigo mesmo,
mas é tão ruim saber que não me conheço.


sexta-feira, 3 de maio de 2013

Cantiga Do Amor Interrompido



Queimando que nem fogo em brasa,
eu fico aqui esperando sua chegada
ou alguma forma de você me olhar novamente,
fingir que sou mais que nada, talvez gente.

Deixei que o fogo da volúpia
me queimasse em perdição,
e disseram que meu amor não
foi forte o bastante,mas ainda sinto
toda a tempestade de amar você em meu coração.

Dando beijos e carinhos pelo mundo,
eu sinto algo diferente e, por um segundo,
quase me encanto com algum novo amor,
mas amar nasce quando quer como flor.

Queimei o sol com torpe fúria,
fiz que a noite se perdesse de mim,
mas eu nem sabia que lá estaria o fim
de meu sonho vivente, dalgum gajo
tão belo que das escuras torrentes surgiu querubim.

Ai ai ai que cansa esperar tudo isso passar
qual fogo em brasa que não torna a apagar!
Ai ai ai que é estranho tudo isso sentir,
mesmo que tudo indo embora para onde não posso ir.


quarta-feira, 1 de maio de 2013

A Cantiga Do Anjo Caído



Andar por tantos cantos
sem saber onde colocar os pés,
onde se está, quem são seus amigos
e pessoas com quem contar.
Andar e cair sem asas pelos ares de um amanhã,
de um dia como outro qualquer.
Talvez eu nem saiba onde eu esteja ao final.

Muitos dias e muito vento
correram pelos meus cabelos depois,
mas as pérolas de um sorriso tolo
e as pessoas que passaram,
me mostraram e me fizeram cair além do amanhã,
de toda a saudade ou melancolia
que nasceu de um sorriso deixado de lado, sem final.

Hoje à noite talvez eu não saiba quem eu sou
e nunca virei a sabê-lo um outro dia,
mas saber de toda a queda, de toda a dor
que nas minhas asas foi se apoderar
desde o dia que comigo você não quis mais voar,
desde então e desde sempre na terra hei de estar.

sábado, 27 de abril de 2013

Santa Senhora


Cálida rosa, pura de toda beleza,
Deusa de toda a noite,
de todo o céu e da natureza,
ave ave!

Cálida rosa, dotada de toda fé,
pura e pudica qual a Lua,
qual a mais bela estrela feita mulher,
ave ave!

Senhora dos campos e rainha do que virá,
sempiterna ferocidade que rege a Terra e os reinos de por vir,
qual tempesta' furiosa, qual rainha gloriosa
que a todos sempre há de reinar!
Sangrando os bosques e áreas verdejantes,
eu cinjo meu corpo e me faço teu receptáculo de fúria e de paixão,
qual nunca antes se teve coragem de dizer,
como se a vida não fosse válida sem beber o teu sangue!



domingo, 21 de abril de 2013

Intercurso sexual


Branca pele cheia de dor
e de sede por um amor que
não viu passar com paixão.

Eu senti as nódoas passarem
por entre os lábios, dentes
abertos sentindo toda a comunhão.

Quando ela caiu em amor,
a natureza toda se excitou em lascívia.
Quando ela tomou o beijo dele,
a natureza toda rodou em fantasia
seguindo um instinto materno de permissão,
de amor ao vil e sacro desejo de paixão.

Toque de pele e ardentes beijos
ao sabor dos desejos regentes,
ao sabor dos movimentos carnais.

A eternidade do amor naqueles
instantes finitos de uma finitude
perpétua em si. Escravos celestiais.

terça-feira, 16 de abril de 2013

Um Dia Antes Do Dia Dos Namorados



Meus desejos apressados
parecem andar tão devagar ultimamente.
Meu desejo de ver tudo mudar
tem ficado tão frio desde então,
e eu ponho as mãos juntas e sinto alguma satisfação
de sentir algum calor em mim.

Desenho coisas felizes na minha máscara,
mas na escuridão da alegria eu ainda sinto aquela noite...
Eu desejava ser minha própria seiva,
desejava não sentir falta de palavras doces,
de cheiros felizes para se amar ou alguma forma de paixão,
mas é idiota querer continuar assim.

Eu pego meus desejos e sentimentos de amor
e enterro no solo que te deixou partir.
Aterrorizado com os ventos que levam tudo,
eu seguro meu boné e deixo meu pensamento fugir
para um dia anterior ao dos namorados,
um dia anterior ao dos namorados,
um dia anterior...(onde posso me sentir mais amado)
um dia anterior...(onde dizer te amo não é desastrado)
um dia anterior...(onde não é impossível te ter ao lado)






domingo, 14 de abril de 2013

Nostalgia Profética Ou A Heresia De Avencasta



Vestidos vermelho-grená pontuados com brio
e estrelas cadentes a brilhar,
qual se disse antes de Jesus nascer por entre nós.
Nesta época, nesta terra
se podia escrever sonhos novos,
novas formas de rodopiar ao som estrelar.

Eles disseram que tudo nasceu do nada e de lá
hemos nós de tornar um dia,
qual escrito esteve e está nos ditos pretéritos a nós.
Naquela época, antes de agora,
se podia ficar em pé sob o céu dos deuses
e esperar alguma fúria, algum sátiro ou harpia.

Paraísos passaram muitos até os dias de hoje,
onde não se pode desdizer
o universo dito real. Não há matéria, não há
escuridão nova para se ver surgir
diante de nossos olhos já acostumados
a não mais esperar a fantasia, a tão-somente crer.

Corpos nus pelas nebulosas douradas de além-mar
dançam a dança da chuva tupi,
mas as músicas já não fazem mais sentido.
Nesta época onde viver é pecado,
onde ter esperança é apenas obrigação,
cheio de vida e morte eu me sinto aos poucos sumir.

quarta-feira, 10 de abril de 2013

O Não-Amor



Às vezes eu acordo tão ciente de mim
e outras vezes parece tão ruim ficar aqui.
Eu temi o escuro e me vesti de negro
para parecer ficar mais fácil enfrentá-lo,
mas é tolo fingir ser forte quando não se tem força,
é tolo fingir estar acordado quando só se quer deitar.
Aqui dentro talvez tenha ficado algo do que passou
ou alguma coisa de todos que foram embora
na certeza impune de algo mais forte que o amor,
na beleza solene de algo mais sublime que esta dor.

Às vezes eu acordo e vejo seu toque em mim
e outras vejo tudo distante e diferente de antes.
Eu temi amar e amei por temer perder você,
mas amar é sempre perder de alguma forma.
Paz e serenidade conseguidas com silêncio e voz calada
diante do que passou então, mas eu ainda talvez queira falar.
Senti um beijo diferente: não era o seu. Mortos e choros
eu os vi passar por todo este tempo aqui. Todos tinham
com quem se abraçar, tinham algum número para ligar,
mas eu fiquei ali do lado, fingindo ser forte, fingindo aguentar.

O passado das coisas e o passar delas por entre nós
pareceu tão normal e sem dificuldades. Talvez não fosse
a força da união que me prendesse em você e no seu amor,
talvez não seja tolo saber que as estrelas não pararam de brilhar,
mas saber destas coisas e sentir toda a perda que foi o partir
não fazem metáforas singelas e de elevação terem sentido maior.
Eu tive sonhos, e é tolo senti-los ir embora com a infância,
é tolo sentir amor e teimar com toda a desobediência de ter esperança.

Parei e vir as fotos de meus amores pretéritos
e sentir todos eles em você e você neles...
Pintei-os com cores negras ao fim, mas as suas
ainda são coloridas em mim...
Eu deixei toda a força de sentir amor em cada amor
que se desfez e agora notei que nada restou,
talvez eu não ame mais, talvez eu não ame mais...