sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Luna

Desde o Tempo de Hodes,
até os de hoje vividos,
a Lua reina serena
nos céus do Sul e do Norte.

Lua de encantos mil,
de vicissitudes outras,
de verdades muitas
qual a correnteza de um rio.

Aves de uma noite negra
voam pelos céus caídos,
tendo apenas a Lua
como guardiã eleita.

Artes de uma morte vencida,
como num assalto de maldição,
ganham sob o olhar da Lua
ares que as trazem de volta a vida.

Na Lua de uma Noite escura
todos os mortos se levantam,
todas as mágoas vivem
e todas as doenças têm cura.

Clamare

Na calada da morte,
eu chamei pelo teu nome,
mas tu não me ouviste,
apenas a lua me fez forte.

Estúpido sentido
que queima como chama
ante a flacidez de
meu corpo já combalido.

Quase me esvaio
ao te ver chegar...
Enfim,
desço e caio.

Na prece deste instante,
na hora que passou,
como um sonho
que agora é distante.

Na prece hoje vejo
as coisas morrendo
e os dias passando
ao som do cortejo.

Música para a Noite

Lá onde o tempo parou,
onde a água se perdeu
no seu canto d'amor
pelo oceano plebeu,
mora uma noite estrelada.
Noite de muitos sonhos,
noites de sonhos ornada,
estrelas de um olhar tristonho.

E o uso dos dias corre
no semblante da Escuridão,
mas a noite não morre
nem padece de solidão.