segunda-feira, 5 de setembro de 2011

O eu-poema do ano de 2011

"No lado negro da minha alegria,
há algo além de mim e de fantasia,
há algo que eu apenas quis a ti mostrar,
mas que é muito nocivo para se revelar"




Trilhando
algo para
fazer
por entre
a minha
eterna
e doída solidão.

Caminhando
eu vou
pela estrada
cega e
muda
que me leva
pra prisão.

Eu daria meu futuro para voltar atrás
e saber onde eu fui me perder da paz.

Vivendo
algo para
além
do agora
e para depois
do talvez.

Bebendo
no ábaco
do tempo
e sabendo
que eu vou
perecer sem tua tez outra vez.

E eu daria meu futuro para voltar atrás
e saber onde eu fui perder a minha paz,
pois eu sei e apenas eu sei a falta que ela me faz.

Daria minha vida para saber.
Eu daria minha vida para saber
onde fui minha paz eu perder...

domingo, 4 de setembro de 2011

Vestida de Azul, qual a Igreja perto do Beira Mar


Branca Flor de pele morena,
vi teu vestido voando pelo ar da Beira Mar,
vi teu vestido dançando par'além dacolá!

Pletoricamente fico ao te ver,
qual uma flor que sabe que será beijada,
qual a noite quando chega a madrugada!

Branca Flor de olhos de profundidade,
eu sei que nada pode fazer que tu me vejas,
eu sei que nem sabes que existo - quiçá me deseja!

Na Igreja Azul da cidade eu vou te caçar
como quem caça algo que se possa achar.

Na vertente azul deste oceano vou te rever
como é certo ter algo ruim agora na TV!

Sem crucificação não há perdão


Oh j'veux ton coeur, mon amour...

Amar é buscar morrer por nada,
temer a terrível e própria solidão,
se iludindo c'uma pessoa criada
por nossa própria falta de auto-paixão.

Eu vou matar teu rosto no calvário do pecado.
Eu vou dançar na tua cara e na tua lembrança,
como se tudo fosse permitido e fosse celebrado,
que viver te amando não me é bonança!
Eu vou tomar o que eu ainda tenha na mente
e vou jogar aos leões de Israel, não ligando
se quem vai morrer sou eu ou tu somente,
porque cansei de te olhar algo desejando.
Amar vai me matar!
De amor vou morrer,
mas, assim, tua lembrança,
ao menos, vai minguar!

Nós não fomos algo memorável, amor.
E com isso eu me agarro e penso que vivo
como se eu mesmo tivesse matado Rousseau,
depois de ter me internado num hospício.

Eu vou matar ton coeur no calvário de Stalingrado.
Hei de dançar na tua cara e em ti não ter confiança,
como se tudo fosse permitido e fosse anunciado,
que viver nesta bosta não me é bonança!
Eu vou tornar o que eu ainda lembro que fui
e vou jogar aos leões de Israel, não ligando
se quem vai morrer sou eu ou se de novo Jesus,
porque cansei de te olhar algo, terrível e maldito anjo!
Amar vai me matar!
De amor vou morrer,
mas, assim, tua lembrança,
ao menos, vai minguar!