domingo, 18 de dezembro de 2011

Desejo no Escuro



Toque leve e algo mais forte
diante da noite caída,
beijada pelas bocas sangrentas,
cheias de dentes das pessoas
do mundo e do submundo noturno.
Ao fundo, algo novo se diz
que vai ocorrer, mas, na verdade,
tudo é novo quando se renasce a cada dia.

Falaram que o amor pode me curar
de minha ânsia pelo vazio, mas
nada é mais pleno do sentido
quanto o anti-sentido das coisas.
Não se valorize nem seja soberbo
ao se achar importante, que a vida é tênue
e o que separá ela da morte é apenas
um pequeno punhado de ar que em ti costumar entrar.

Nas minhas contas, eu beijei a noite
inteira e ainda fiz amor com as estrelas
ao som de teu canto sepulcral,
mas eu sei que não foi bem feito
posto que ainda não senti a dor de teu corpo
em mim nem em meu quadril. Eu quero dançar
ao som das marchas de carnaval em Veneza
e beijar o chão das ruas e fazer amor com a sarjeta.

Mãos e dedos imprimem um relevo
diferente na minha alma, e percebo
quando posso entrar na sua vida e
comer sua seiva vital, qual fizeram antes
de se criar alguma fé dita real. Mas o sol
já intenta despontar ao horizonte azul-confuso.
Não quero ir embora sem antes de dizer o quão
fui feliz por ter algo por esta noite dentro de mim.

Este é o meu desejo noturno.
É isso o que quero, não seja taciturno
e me mate no vazio do escuro...


sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

As Paradisiacais


Anéis giram ao meu olhar,
saturnando pelos ares do mar
ou além de onde posso ver
eles se beijarem, posso os perceber...

E diziam que os planetas todos iam terminar
quando 2000 ou aquário ao braço norte voltar,
mas o mundo nem as terras de por aí sabem
de nossas contas celestiais nem de nossos pactos
com deuses e entidade irreais. O mundo não
terminou de começar, todo final
é um novo início e um novo despertar...
Estrelas brilham no céu de Cassiopeia,
e eu quero viver esta Odisseia,
a aventura inominável de viver humanamente,
de nascer sabendo que sempre há um fim na frente
Paradisiacais são os terrenos do além daqui,
com suas virgens e ninfas celestiais, cheias
de seios e vaginas para se fecundar ao deus mar!
Os testículos caindo por sobre o oceano
e fecundando as terras marítimos como o sêmen
humano, pleno de adstringência e odor sanitário,
que nem o centaura poderia saber onde é o Sargitário...

Estrelas brilham no céu de Cassiopeia,
e eu quero viver esta Odisseia,
a aventura inominável de viver humanamente,
de nascer sabendo que sempre há um fim na frente
O sol vestido de ouro e com sua vestimenta estelar
enche o salão do vazio com sua luz, seu luminar,
mas são as jovens luas que respondem ao beijo
divinal dado por Javé ou por Zeus...Se sabe onde
tudo pode ter terminado, mas o começo sempre é dúvida
em mim e naqueles que quiseram se perguntar...
Eu continuo respondendo ao deus dentro de mim...

Estrelas brilham no céu de Cassiopeia,
e eu quero viver esta Odisseia,
a aventura inominável de viver humanamente,
de nascer sabendo que sempre há um fim na frente
E eles dizem o que quiserem a respeito do beijo inicial,
se foi de uma mulher para um homem, se de homem para homem
ou se de Vênus à Artemis...O universo dança silencioso
o seu minuet de consternação...A sabedoria universal
dos astros moventes ou dos cometas de poeira espacial
gira meu sonho de te ter aqui, Lua. Gira meu sonho der ser
interminável no meu desejo humano de um dia ser rememorado...


sábado, 10 de dezembro de 2011

E-poesia



Pedaços de meu passado
circulam nos escritos.
Sementes de um ser amado
ou algo além disso também.
Uma peça de carne nua
que chama o prazer para si.
Uma peça de teatro em mim
e um segredo que não se pode saber.
Aqui em mim é frio e o calor
lá fora nada pode esquentar,
nenhuma das faces poderá...

Na minha poesia de sexo
eu não citei teu amor,
nem citei o orgasmo
que me deste, porque
sabia que era muito
grande para um poema qualquer.
Existe algo de pagão em tua voz,
no teu jeito de dizer coisas sóbrias,
mas minha cegueira ébria não
pode ver teu beijo me abarcar...

E eu me fecho no azul de meu humor,
cercando as notícias de ti e coisas de amor
que eu não queria novamente acreditar,
mas que mais uma vez dançam a me enebriar...

Existe algo de pagão em tua voz,
no teu jeito de dizer coisas sóbrias,
mas minha cegueira ébria não
pode ver teu beijo me abarcar...