domingo, 17 de junho de 2012

Eu Preferia Você Calado


Você ficou tão calado
que nem sua voz eu conseguia ouvir.
Sempre eu dizia, e falava e reclamava
da forma lacônica de você sorrir,
mas você foi abrir a boca naquele dia
e me disse algo terrível, algo que ouvir eu não queria.

Eu preferia você calado
do que me dizendo adeus.
Eu preferia você calado
do que dizendo "não sou mais seu!"

Você tirou meu motivo de cantar
e me fez parar de viver os dias como antes.
Eu apenas queria seguir algo feliz com você,
sermos mais que meros meninos perdidos, além de amantes,
próximo de algo mais forte que a certeza do final,
mas você foi embora e eu fico aqui com esta cara banal.

Eu preferia você calado
do que me dizendo um tolo adeus.
Eu juro como queria você calado
do que levando minha luz, me dando o breu!

Você bebeu meu sangue
e me fez beber de volta
o sabor de algo forte. Agora
na falta de algo melhor para viver,
para ser, eu sigo assim calado,
esperando sentado
alguma coisa mais feliz vir me ocorrer,
mas eu sei - eu juro como sei! -
que amor como eu senti será algo
que nunca mais eu vou ter...

sábado, 9 de junho de 2012

Agora, Um Ano Depois...



Há um ano atrás,
eu era dual, não era assim sozinho,
não era assim banal.
Algo mudou em mim,
mas em mim tudo parece igual...

Um ano depois de um ano atrás,
pareço tão mais sério, tão menos fugaz,
mas em mim a solidão da sobriedade diz olá,
qual nunca antes eu tive a solidez de escutar...

Um ano depois,
eu te vejo dizer que me ama ainda,
mas teu amor eu fui perder.
Algo mudou em mim,
mas agora já é tarde pra perceber.

Um ano e algumas lágrimas depois eu sinto
como se minha vida fosse igual. Eu minto
mas tua ausência ainda repercute nos meus devaneios,
ainda sonho com teu nome, ainda sinto teu beijo...

No escuro do passado às vezes me pego a pensar.
Viciado no que foi e desacreditado no que virá.
Junto com a noite eu ainda danço e traço planos para viver,
mas agora tudo é meio sem cor, descolorido,
já que nossa vida conjunta, por tolice minha, fui perder...

domingo, 3 de junho de 2012

Como Uma Pequena Mariposa



No escuro, eu sigo cantando a morte pelo céu.
Na calada da noite, eu paro meu sono, choro.
Caindo pelos ares da terra, rasgando o véu
que me separa do final...
Eles dizem que eu não vou conseguir voar,
mas eles não sabem que menti asas para sonhar!

Às vezes me sinto tão sombrio, vazio e sem razão.
Na calada das tardes, vejo meu tempo se perder
por entre rosas caídas, flores mortas sem compaixão
por quem um dia me amou...
Eles dizem que não saberei viver assim, mas, tolos,
se esquecem de que sou forte e feroz como um lobo!

Este câncer que combato todo dia
não vai terminar minha vida sem lutar!
Esta morte singela que todos desejam
eu não a quero! Contra ela hei de lutar!
Morrer em vida e ser marcado pelo fogo do presente
qual sofrendo por entre as vozes caladas, bocas sorridentes
de um realidade desigual...
Caladas ante mim...Perante meu sonho surreal...