domingo, 9 de dezembro de 2012

Nu No Fim Do Mundo


Na origem do tempo,
as coisas se misturam entre si
num sexo sem final.
Na origem das eras,
o tempo temeu perder as correntes
que amarravam o falo do mal.
Diante do trono dos céus,
diante do reino fiel e leal,
uma sombra negra e agre se ergueu e disse:
quem viver saberá o final!
Quem viver saberá o final!
Quem viver verá o final!

No correr das horas,
as meninas se amancebaram entre si
num sexo de reflexo vago-vagal.
No frigir dos ovos,
nenhum ovo foi quebrado e o nome
dos deuses não foi citado.
Diante do trono dos céus, ó baby!
Diante da fome e dos réus,
uma sombra negra e doce se pôs a cantar:
O final só se sabe quando acabar!
O final só se sabe quando acabar!
Apenas quem viver verá!


domingo, 2 de dezembro de 2012

Toda Esta P%$$@ De Caos



Eu queria ficar sozinho
na porra desta cidade,
mas em todo canto tem mil e duzentos doentes
para falar, para gritar as doçuras de ser gente!
Eu queria queimar meu ego
na escuridão do calçamento
mas sempre existe algum pastor que queira me abençoar
com sua fé, que queira ao céu dos puros e diletos me levar!

Eu odeio ficar andando
e ouvindo a sujeira dos ônibus
pelos cantos a correr. Talvez eu esteja louco, algo psicótico,
mas viver aqui está cada vez mais impossível sem narcóticos.
Eu ouvi todos os planos deles
para com meu futuro e eu quero
que eles se lasquem! Dois milhões pessoas para respirar
o mesmo oxigênio, para a mesma porra de vida levar!

Onde eu deixei o meu psicotrópico?
Onde eu fiquei neste destino tão robótico?
Hoje eu quero ficar longe de tudo isso
e calar no barulho de ficar aqui, ficar perdido
diante deste fogaréu de gente,
diante deste dilúvio incoerente
que é viver aqui!
Eu quero uma ciência que me faça sumir
e viver longe de todo este caos de pessoas!
Eu quero sumir e quero que elas explodam!
Eu quero sumir e ficar longe daqui!
Eu quero sumir e viver longe daqui!


sábado, 1 de dezembro de 2012

Um Olhar Por Dentro Do Nada



Tantas pessoas a passar
por tantas ruas.
Tantas pessoas a passar,
outras tantas luas.

Não, eu não quero ser igual
aos outros e passar de forma tão informal.
Não, eu não sei o que acontecerá,
mas não quero me sentir tão casual.

Não, eu não vejo você me amando
e eu nem sei se quero sentir isso aqui queimando.
Não, eu não sei o que acontecerá,
mas não quero seguir nisso pensando.

Tantas pessoas a passar
e apenas eu não quero ficar.
Tantas pessoas a passar
e eu apenas quero deixar pra lá.

Ó que é tão estranho me sentir
no seu olhar e ver que não estou aí.
Ó que é assim mesmo as coisas de viver:
um dia, cada dia, um novo ser...