domingo, 21 de abril de 2013

Intercurso sexual


Branca pele cheia de dor
e de sede por um amor que
não viu passar com paixão.

Eu senti as nódoas passarem
por entre os lábios, dentes
abertos sentindo toda a comunhão.

Quando ela caiu em amor,
a natureza toda se excitou em lascívia.
Quando ela tomou o beijo dele,
a natureza toda rodou em fantasia
seguindo um instinto materno de permissão,
de amor ao vil e sacro desejo de paixão.

Toque de pele e ardentes beijos
ao sabor dos desejos regentes,
ao sabor dos movimentos carnais.

A eternidade do amor naqueles
instantes finitos de uma finitude
perpétua em si. Escravos celestiais.

terça-feira, 16 de abril de 2013

Um Dia Antes Do Dia Dos Namorados



Meus desejos apressados
parecem andar tão devagar ultimamente.
Meu desejo de ver tudo mudar
tem ficado tão frio desde então,
e eu ponho as mãos juntas e sinto alguma satisfação
de sentir algum calor em mim.

Desenho coisas felizes na minha máscara,
mas na escuridão da alegria eu ainda sinto aquela noite...
Eu desejava ser minha própria seiva,
desejava não sentir falta de palavras doces,
de cheiros felizes para se amar ou alguma forma de paixão,
mas é idiota querer continuar assim.

Eu pego meus desejos e sentimentos de amor
e enterro no solo que te deixou partir.
Aterrorizado com os ventos que levam tudo,
eu seguro meu boné e deixo meu pensamento fugir
para um dia anterior ao dos namorados,
um dia anterior ao dos namorados,
um dia anterior...(onde posso me sentir mais amado)
um dia anterior...(onde dizer te amo não é desastrado)
um dia anterior...(onde não é impossível te ter ao lado)






domingo, 14 de abril de 2013

Nostalgia Profética Ou A Heresia De Avencasta



Vestidos vermelho-grená pontuados com brio
e estrelas cadentes a brilhar,
qual se disse antes de Jesus nascer por entre nós.
Nesta época, nesta terra
se podia escrever sonhos novos,
novas formas de rodopiar ao som estrelar.

Eles disseram que tudo nasceu do nada e de lá
hemos nós de tornar um dia,
qual escrito esteve e está nos ditos pretéritos a nós.
Naquela época, antes de agora,
se podia ficar em pé sob o céu dos deuses
e esperar alguma fúria, algum sátiro ou harpia.

Paraísos passaram muitos até os dias de hoje,
onde não se pode desdizer
o universo dito real. Não há matéria, não há
escuridão nova para se ver surgir
diante de nossos olhos já acostumados
a não mais esperar a fantasia, a tão-somente crer.

Corpos nus pelas nebulosas douradas de além-mar
dançam a dança da chuva tupi,
mas as músicas já não fazem mais sentido.
Nesta época onde viver é pecado,
onde ter esperança é apenas obrigação,
cheio de vida e morte eu me sinto aos poucos sumir.