quarta-feira, 22 de outubro de 2014

O Canto das Duas Cidades


Debaixo do Vale Negro
existe algo que não se pode tocar,
existe algo de mágico e de gélido
que faz tudo em torno se congelar.
A cidade acima feita de Luz
e de lépidos jovens a amar
é ameaçada desde tempos imemórios
pela cidade debaixo.

Debaixo do Vale Negro
e tocando as margens do Mar Desejado,
existe um povo feito de terra
e de ferro,
um povo que não se pode tocar com os
dedos desnudos,
um povo que se alimenta de grito, de berro.

As cidades contradizentes
reinam supremas no continente.
As cidades contradizentes
reinam eternas em nossas mentes.

sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Reprodução




Tocado com dedos
diferentes dos que eu era antes,
caminhando pelos bares,
caçando olhares,
sentindo-se sozinho, aliás,
olhando e te procurando atrás.
Chegamos muito perto.
Existe algo que me faz gostar
de ficar aqui pensando
no seu corpo se reproduzindo em mim.

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

O Pretérito





E se eu não tivesse dito sim?
E se eu não tivesse voltado
tão perdido de mim?
E se eu não tivesse esquecido
tudo que foi feito?

Eu não me importo com as possibilidades,
não me importo com as ocasiões de sim ou de não,
mas me importo com todo o amor que nasceu...

E eu sei que você já não está aqui.
E eu sei que você não me quer mais,
que anda rindo de meus desejos
tolos e de minha futilidade vã,
mas eu não criei tudo isso para depender de você...

Eu não me importo se você não me conhece,
se não sabe tudo o que eu vi e o que eu senti,
porque sei que não importa se fui o que se arrependeu...

Sigo sombras por toda vida,
sombras do que passou,
penumbras sólidas de despedidas,
talvez de amores lépidos...

Sigo meus olhos e não vejo
sombras para me assustar
além do Pretérito...além da memória
de algo que se foi gélido...